ou: a glória de um bom texto.
semana de provas. muitos trabalhos, pouco tempo. as always. todo o estudo de constitucional naquele material esquematizado, em vão, quando me deparei com aquela bendita prova. quatro questõezinhas mixurucas valendo exorbitantes dois pontos cada objetiva mais justificativa e uma, aquele disparate, valendo seus desproporcionais quatro pontos. agora me responde: que professor dá uma questão de prova, umazinha, valendo quatro pontos? eu sabia que meu professor era um tantinho sádico, mas daí a pegar aquele livro do Dimoulis que sequer discutimos em sala de aula e pedir que relacionássemos com o debate sobre a Comissão da Verdade (debate? que debate? não houve nenhum debate), bem, aí já não era mais fetiche, era patologia mesmo.
tava lá transcritinha a lei 12.528/11. mesmo assim, ou até por isso, deu o maior desespero porque a lei ocupava duas páginas e meia de letras muito miúdas. a gente tinha uma hora pra ler aquela caralha, lembrar do que tinha lido no livro e fazer a requerida relação. eu não lembrava de nada. eu não sabia o que responder.
foi aí que, pelo que conheço do meu professor e de suas convicções políticas, percebi que aquela questão era ele chilicando com a comissão da verdade. pagando de bolsonaro, vamos dizer. e então, fui obrigada a supor, inventar, sei lá, embromar na resposta.
segue abaixo:
"Sinceramente, não sei de que forma é possível relacionar o debate a respeito das funções que serão desempenhadas pela denominada Comissão Nacional da Verdade com a ideia de politicidade dos Direitos Fundamentais defendida por Dimoulis. A leitura corrida do texto e o pouco tempo para a análise do que se pede, impossibilita enxergar qualquer relação com clareza. Ao menos de forma concreta.
No entanto, numa reflexão breve sobre o termo "politicidade", é possível
supor o objetivo do ponto a ser discutido:
Ao que parece, a Comissão Nacional da Verdade fora instituída mais por uma questão de política do que propriamente de justiça. Aqueles que outrora foram vítimas das violações de direitos, hoje se encontram no poder, ou seja, numa posição que os permite, ao menos, averiguar os fatos. Mesmo que seja para, em seguida, colocá-los nas gavetas das Memórias Reveladas.
O que ocorre, é que talvez não seja possível estabelecer o que é, efetivamente, a verdade. E, talvez, isso nem seja o que de mais importante se objetiva com a Comissão. A finalidade desta, como aduz a parte final do art. 1º, é "efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a
reconciliação nacional"
Dito isso, vê-se que não há intento de punir quem quer que seja, apenas "colocar as cartas na mesa" para, quem sabe, tirar de vez esse "nó na garganta" da história do Brasil que foi a Ditadura."
note que o primeiro parágrafo não passou de encheção de linguiça. e que o resto, tudo, tudinho, foi meio que uma enrolação acrescida de um pouco de informação política que eu já tinha por acompanhar na mídia. fico pensando em quem não é interado politicamente, como se virou nessa prova.
bem, daí que esse "sinceramente, não sei" me rendeu atribuição do valor integral da questão mais um "muito bom" - como você pode verificar logo abaixo - único na sala inteira. teve uma outra menina que também conseguiu o valor integral da questão e ganhou um "bom", mas o "muito bom" e o "a propósito, seu texto ficou excelente" no momento de entrega da prova, foi mesmo só eu.
não parece, mas tá escrito "muito bom" aí.