sábado, 12 de maio de 2012

Dois Minutos de Ódio

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Diariamente, no seu facebook, nas imagens compartilhadas de animais mal tratados, nos vídeos com algum tipo de violência, na sua Tv, no Balanço Geral, nos noticiários. Você senta, assiste à notícia, se revolta por cerca de dois minutos. Nunca muito mais do que isso. Então você demonstra sua indignação: Compartilhando, comentando ou simplesmente vociferando "é um absurdo!". E aí você volta a sua vida normal. Dócil e aliviado.

*Nunca vou  cansar de falar desse livro, porque ele mudou minha vida. 1984 e As Vinhas da Ira e Cem Anos de Solidão.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Quebrar espelho: comprovação científica do azar.

O primeiro azar de se quebrar um espelho é que você terá que gastar uns R$200 pra comprar outro, se quiser aproveitar a moldura. Ou um pouco menos, se se contentar com um espelho menor.

O segundo azar de se quebrar um espelho é que, sendo domingo, você terá de esperar até amanhã para comprar outro (se tiver dinheiro amanhã) e assim, terá de se virar como puder para se arrumar pra trabalhar na manhã de segunda feira.

O terceiro azar de se quebrar um espelho é que, pelos próximos 15 dias, talvez mais, você ainda vai furar o pé nos micro cacos que ficarão perdidos pelo chão.

(a narrativa prossegue pelos 7 anos restantes)

sábado, 21 de abril de 2012

tempted to work

ou: a glória de um bom texto.

semana de provas. muitos trabalhos, pouco tempo. as always. todo o estudo de constitucional naquele material esquematizado, em vão, quando me deparei com aquela bendita prova. quatro questõezinhas mixurucas valendo exorbitantes dois pontos cada objetiva mais justificativa e uma, aquele disparate, valendo seus desproporcionais quatro pontos. agora me responde: que professor dá uma questão de prova, umazinha, valendo quatro pontos? eu sabia que meu professor era um tantinho sádico, mas daí a pegar aquele livro do Dimoulis que sequer discutimos em sala de aula e pedir que relacionássemos com o debate sobre a Comissão da Verdade (debate? que debate? não houve nenhum debate), bem, aí já não era mais fetiche, era patologia mesmo.

tava lá transcritinha a lei 12.528/11. mesmo assim, ou até por isso, deu o maior desespero porque a lei ocupava duas páginas e meia de letras muito miúdas. a gente tinha uma hora pra ler aquela caralha, lembrar do que tinha lido no livro e fazer a requerida relação. eu não lembrava de nada. eu não sabia o que responder. 

foi aí que, pelo que conheço do meu professor e de suas convicções políticas, percebi que aquela questão era ele chilicando com a comissão da verdade. pagando de bolsonaro, vamos dizer. e então, fui obrigada a supor, inventar, sei lá, embromar na resposta.

segue abaixo:

"Sinceramente, não sei de que forma é possível relacionar o debate a respeito das funções que serão desempenhadas pela  denominada Comissão Nacional da Verdade com a ideia de politicidade dos Direitos Fundamentais defendida por Dimoulis. A leitura corrida do texto e o pouco tempo para a análise do que se pede, impossibilita enxergar qualquer relação com clareza. Ao menos de forma concreta.

No entanto, numa reflexão breve sobre o termo "politicidade", é possível supor o objetivo do ponto a ser discutido:

Ao que parece, a Comissão Nacional da Verdade fora instituída mais por uma questão de política do que propriamente de justiça. Aqueles que outrora foram vítimas das violações de direitos, hoje se encontram no poder, ou seja, numa posição que os permite, ao menos, averiguar os fatos. Mesmo que seja para, em seguida, colocá-los nas gavetas das Memórias Reveladas.

O que ocorre, é que talvez não seja possível estabelecer o que é, efetivamente, a verdade. E, talvez, isso nem seja o que de mais importante se objetiva com a Comissão. A finalidade desta, como aduz a parte final do art. 1º, é "efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional"

Dito isso, vê-se que não há intento de punir quem quer que seja, apenas "colocar as cartas na mesa" para, quem sabe, tirar de vez esse "nó na garganta" da história do Brasil que foi a Ditadura."

note que o primeiro parágrafo não passou de encheção de linguiça. e que o resto, tudo, tudinho, foi meio que uma enrolação acrescida de um pouco de informação política que eu já tinha por acompanhar na mídia. fico pensando em quem não é interado politicamente, como se virou nessa prova.

bem, daí que esse "sinceramente, não sei" me rendeu atribuição do valor integral da questão mais um "muito bom" - como você pode verificar logo abaixo - único na sala inteira. teve uma outra menina que também conseguiu o valor integral da questão e ganhou um "bom", mas o "muito bom" e o "a propósito, seu texto ficou excelente" no momento de entrega da prova, foi mesmo só eu.

não parece, mas tá escrito "muito bom" aí.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

but that don't make your place safe in my bed

tantos anos se passaram. anos juntos, anos separados. novamente anos juntos e outra vez separados. já são dez. isso em vinte e três de dezembro. uma menina de dezesseis anos com toda a excitação dos hormônios de sua idade. um menino de dezoito, idem. adultos agora. destinos distintos que insistem em se cruzar. se não com ajuda do acaso, com a força de alguma vontade contida.

pode-se dizer finalmente que não há mais amor. tudo que antes havia, aquele sentimento mais puro e único no mundo verdadeiramente incondicional tornou noutra coisa, agora ainda indefinível. não há mais necessidade na carne. as conversas que mantém a mesma malícia travestida de inocência não carregam a intenção da aparência. não há mais a falta de algum açúcar perdido no beijo do outro, nem das formas do corpo num braile de volúpias secretas.

de tudo o que se sentiu e de tudo que se viveu, apenas uma coisa não lhe some da memória: o cheiro. cheiro de algo muito querido. de alguém importante, daquilo que fez parte de um passado prazeiroso, intenso, extremo, sem meios. de tudo que foi, somente o cheiro ficou. o cheiro que guarda as lembranças frescas de um decorrer congelado pelo que representa.

sem mas nem porquês, um laço permanece ligado. de algum modo, o "eu aqui, você aí, só sabendo", transformado no que ainda não pudemos definir, continua nos fazendo querer qualquer contato vago, tímido, discreto. talvez o lamento por ter deixado a oportunidade nos escapar entre os dedos. porque quando a chance surgiu já era tarde demais pra começar, já era perto do fim, já nos conhecíamos além do que a urgência de uma paixão recente permitia. depois de tanto tempo, um inesperado mudou o ímpeto de nosso querer e o que nunca imaginamos de repente se mostrou: tornamo-nos amigos.

domingo, 8 de abril de 2012

teach me tonight

ou: estrutura textual? pra quê?

olha, eu vou contar uma coisa pra você (meu interlocutor, seja lá quem for): ando trabalhando feito uma burra de carga. a faculdade pedindo trinta trabalhos em vez de seis do período passado. antes eram apenas seis trabalhos específicos, um de cada disciplina. agora, além destes, foram adicionados mais um por mês de cada matéria para serem feitos em espaço escolar diversificado (leia-se: em casa, de madrugada, pelas coxas). as crianças, meu deus, como tenho passado pouco tempo com as minhas meninas. elas estão tão carentes. o marido, não vou nem comentar!, namorar é evento aqui em casa. quando a gente deita, já tá mais que morta. um beijo de boa noite e um abracinho já tá mais que bom. e a casa? não tenho faxineira, então, se quero vê-la limpa e arrumada, tenho que eu mesma por a mão na massa. não tenho tempo nem ânimo pra sair. há séculos não paro nem pra ver um filmezinho. música, só quando estou no ônibus, na ida para a faculdade, isso se não tiver algo importante para ler que não tenha lido em outra hora. minhas unhas estão fracas, meu cabelo está caindo, minha pele está podre. tenho aprendido a aproveitar o tempo fazendo (mal) mais de uma coisa simultâneamente: passar fio dental discretamente durante a aula (nojento, eu sei), ler enquanto almoço, cochilar em trânsito, fazer pesquisas escondido no trabalho, etc. nunca mais tive oportunidade de colocar umas ideias nesse blog. livros? o último que li, que não técnico ou de teoria, foi "o cortiço" e olha que tenho um monte de novinhos, uma coleção quase completa do machado que não tive chance de folhear. os amigos? minha sorte é que fiz alguns maravilhosos na faculdade, porque nem para conversar no msn tá dando (saudade pós-modernidade). feriado, que eu deveria estar descansando e aproveitando como os seres humanos normais, tenho que botar a leitura - leitura, sempre a leitura - em dia. basicamente, a vida social terminou com a faculdade. mas eu não paro. não paro nunca. porque se tem uma pessoa que caiu de para-quedas no direito, mas se identificou totalmente com o curso, fui eu. estou apaixonada. perdidamente. é incrível. claro que com algumas coisas a gente se desilude. mais com as pessoas, com o pensamento daqueles que serão os novos operadores do direito, do que propriamente com o curso. é de se entristecer a ignorância da maioria dos que ocupam aquelas cadeiras. ninguém se interessa por antropologia ou sociologia, o pessoal gosta mesmo é de penal, sensacionalismo, balanço geral. ninguém quer saber a causa da marginalidade, o cerne, o que interessa é apenar. é mais fácil. é mais óbvio. essa juventude fascista, tsc. mas eu continuo. até porque, sem falsa modéstia, eu sou a mais inteligente da minha turma. juro. quer dizer, tem um menino lá que tira as mesmas notas que eu. mas ele é um kiko. compra absolutamente TODAS as doutrinas de todos os autores de todas as matérias, enquanto eu, conto moedas pras xérox. além disso, estagia diretamente com uma juíza - meu trabalho não tem nada a ver com meu curso - & já é graduado em filosofia (ex-seminarista, mas um fofo), ao passo que eu, bem, é so voltar ao início da postagem para ver o método caótico com o qual vou levando os meus estudos. às vezes, não vou mentir, dá vontade largar isso tudo, plantar uma horta, criar umas galinhas e virar hippie no mato, mas me ocorre que todo esse saber, sem um fim social, não passaria de futilidade.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

it's my party

só gostaria de relatar aqui minha indignação:

desde que essas porcarias de saga crepúsculo se espalharam feito peste no gosto da geral, faltam bons livros nas prateleiras. elas estão entupidas com um sem-fim de capas semi-idênticas sobre, quase sempre, o mesmo assunto: vampiros. vampiros que brilham no escuro. estão ali, páreo a páreo com augusto cury e uma leva de escritoras modernas que dão toda sorte de dicas sobre como agarrar seu homem, porque os homens gostam de mulheres assim ou assado, bla bla blá whiskas sachê.

a bem da verdade, eu prefiro comprar livros usados nos sebos on-line. mas visitar livrarias tem lá seu glamour. ou tinha, antes de abarrotarem as estantes com lixo pop.

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andei mais do que retirante nordestina hoje procurando um bom presente pro meu amigo "X" da turma. na dúvida entre modernê e clássico, evidente, fiquei com o clássico. não posso ter certeza acerca do gosto do outro, mas de qualquer forma, acho mais sábio dar um livro que eu já tenha lido. assim, as chances de errar são menores, como também é menor a possibilidade de eu deixar de ir à reunião do pessoal da faculdade só para ficar com o livro - sou pão-dura. é quase patológico.

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continuo à procura de um apartamento mais perto da civilização - isso sim é saga. tinha me esquecido de como é horrível andar atrás de alguma coisa. tinha me esquecido de como é horrível andar. preciso de um carro. urgente. essa vida de querer morrer duas vezes por dia - quatro, em dias letivos - quando ando de busão lotado não tá com nada. me dá preguiça só de pensar. me bronzeia a pele só de imaginar aquele sol escaldante em cima da minha moleira.

numa escala de 0 a preciso de um apê com suite, vamos ver até onde meu corpo esquelético e subnutrido aguenta com essa peregrinação.

não perca o próximo capitulo...




domingo, 4 de dezembro de 2011

halftime

por incrível que possa parecer, depois que entrei na faculdade, não consigo mais ler.

peraê. deixe explicar: não dou conta de ler tudo que preciso, não tenho mais tempo de ler literatura.

com muito sacrifício, consegui ler esse ano um total de quatro livros. excluindo meus livros acadêmicos, que leio apenas os capítulos destinados à aula, li "elogio da loucura", "o macaco e a essência", "as vinhas da ira" e "cem anos de solidão". as vinhas da ira quase me custou uma recuperação em constitucional, mas era bem melhor do que prestar atenção ao meu professor enchendo a aula com a vida e a opinião pessoal dele.

muito dessa falta de tempo - nunca antes na história desse país eu vivi sem dormir minhas doze horas diárias - se deu porque agora eu sou uma trabalhadora. se eu pudesse mesmo escolher, eu ficaria em casa cuidando das plantas no jardim, das crianças e dos afazeres domésticos - juro - mas não é só uma questão de querer. a gente precisa daquelas notinhas imundas que povoam nossa conta bancária ao fim de cada mês.

graças a esse trabalho, me sinto hoje uma caricatura daquilo que sempre detestei. bato carimbo e tento não me tornar uma funcionária pública encostada, gorda e mal humorada. aliás, nesse emprego, espero não passar do probatório.

preciso mudar de casa o quanto antes porque meu retiro espiritual de trêsouquatro anos já se tornou uma espécie de suicídio social. ninguém mais sabe quem sou, onde estou e o que ando fazendo. pouco me importaria também se, hoje, eu já não pudesse dizer que preciso de outra coisa que não só isso. não que eu precise de amigos velhos. a gente sempre acha que vai encontrar tudo como deixou e quando revê, não é nada daquilo. ou, a gente sempre acha que todo mundo progrediu e, quando revê, continua na mesma estagnação.

então, eu não preciso de mais do mesmo, mas eu realmente preciso de outra coisa. novos ares. alguns planos. e, quem sabe, um corte de cabelo.